sexta-feira, 24 de maio de 2013

53º CONUNE HOMENAGEIA VINICIUS DE MORAIS, AUTOR DO HINO DA UNE


Poeta carioca que cantou a vida como nenhum outro deixou também sua marca no movimento estudantil
“A nossa mensagem de coragem é que traz um canto de esperança”, escreveram Vinicius de Moraes e Carlos Lyra em uma tarde de 1963. Hoje, 50 anos depois, o hino da UNE é celebrado pelos estudantes brasileiros que homenageiam neste 53º Congresso o centenário de Vinícius (1913 – 1980).
A ditadura militar (1964 a 1985) foi um período de grandes letras e músicas de protesto. A Bossa Nova marcava a época como um dos movimentos mais importantes da música brasileira. E foi nesse embalo que Carlos e Vinicius, dois expoentes da música ligados ao Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, imortalizaram a força e a voz dos estudantes.
O CPC era uma referência da década de 1960, um organismo vivo que movimentava a cultura no país e reunia intelectuais e artistas, grande parte deles engajados na luta contra o regime autoritário e repressivo e defensores do caráter coletivo na arte.
“Nós tínhamos ditadura militar, mas nós tínhamos resistência. As coisas aqui no Brasil eram feitas com harmonia, com melodias bonitas. Eram feitas com a intenção de, além do protesto, fazer arte”, destacou Carlos sobre o período.

100 anos do poetinha

Vinicius de Moraes foi poeta, compositor, diplomata, jornalista e dramaturgo. Sua obra não cabe em um só estilo ou em um só rótulo. Escreveu mais de 400 poemas, contos, crônicas e peças de teatro. Dos poetas brasileiros foi um dos mais traduzidos mundo afora.
Suas letras de amor e alegria, de tão populares, já são lugares comuns entre os brasileiros. Sua obra escrita reúne os mais bonitos e lembrados sonetos da nossa poesia. Do Soneto de Fidelidade, os versos “Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”, são reconhecidos e reproduzidos mundialmente.
Apesar do estudo, da erudição e da convivência com a intelectualidade foi na exaltação do cotidiano, da alegria, da beleza, do amor e como compositor popular que ele decidiu viver.
E também como músico sua obra reverberou. Foi um dos responsáveis pela modernização da música popular brasileira em parcerias memoráveis com Tom Jobim, Baden Powel, Carlos Lyra, Toquinho, Edu Lobo. Com cada parceiro, uma nova faceta do poeta e a capacidade de se reinventar.
“Garota de Ipanema”, composta junto com Tom Jobim, é até hoje uma das músicas mais tocadas no mundo. Ainda da dupla, “Chega de Saudade”, tocada por João Gilberto, é tida como um marco na MPB, tanto na forma como na letra.
Vinicius se declarava o branco mais negro do Brasil. É na brasilidade, no refinamento erudito misturado às raízes do samba brasileiro, na paixão pelas mulheres e pelo nosso país que lembramos de sua obra que nunca mais terá fim.
 Cristiane Tada

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