terça-feira, 30 de julho de 2013

Maioridade penal


Francisco se foi, vamos falar de juventude?

Para a mídia, em geral as crianças e jovens são vistos sob duas óticas: como consumidores ou como infratores

por Dal Marcondes publicado 30/07/2013 09:04


Marcello Casal / ABr
 
menores infratores votação
Adolescentes infratores antes de votar em centro de atendimento juvenil especializado
Até poucos dias antes da chegada do papa Francisco ao Brasil a pauta de juventude não era bucólica e carregada de mensagens de paz e esperança. Pelo contrário, era alto o brado pela redução da maioridade penal e fortes os ataques ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que garante direitos a uma das pontas frágeis da sociedade. Para a mídia, em geral as crianças e jovens são vistos sob duas óticas: como consumidores ou como infratores. Não há uma reflexão nos meios de imprensa sobre o papel dos jovens na sociedade enquanto atores capazes de oferecer a energia que alimenta as utopias ou pessoas com grande capacidade para inovar e propor caminhos, alternativas e novas tecnologias.

A abordagem da imprensa dos fatos de uma sociedade não é feita pela ótica da normalidade, daquilo que é a rotina do cotidiano, mas da exceção. Ou seja, quando um adolescente comete um crime bárbaro aquilo é martelado à exaustão nos canais de TV e jornais, principalmente porque a anomalia é notícia e, portanto, vende mais, atrai mais público. A repetição da anomalia cria na sociedade uma falsa sensação de que aquilo é corriqueiro, que os crimes cometidos por jovens são a maioria e que eles precisam se punidos.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Mensagem postada no facebook.

Esse ano faz 45 anos do AI-5.
Hoje faz 20 anos da Chacina da Candelária.
Hoje faz dez dias do sumiço de Amarildo.
Amanhã faz um mês da Chacina da Maré.
Amanhã faz uma semana do fogo nos manequins.
Só para os manequins houve flores.
Só para os manequins houve choro.
Só para os manequins haverá investigação.
A ditadura dura, e ainda há quem diga aos brados que ela é branda.
Os corpos que somem se somam aos corpos cuja soma nem se sabe.
Quem tenta gritar corre o risco da luta terminar em luto.
Há quem diga, quem finja, quem ache que tá tudo bem.
Mas há ninjas gritando e dizendo que não é bem assim.
Será que saberíamos onde está Amarildo se ele fosse um manequim?
Por Lucas Pedretti

sábado, 13 de julho de 2013

Um movimento se movimentando – Análise dos movimentos dos últimos tempos.

Por Fabrício Paz - "O movimento estudantil que não está em constante movimento não é movimento".

Fabrício Paz - Diretor da UNE
As cores das ruas do Brasil romperam a dualidade do trabalho, estudos, compras e rotinas. Os meses de junho e julho deste ano foram completamente diferente de todos os que se passaram, desde as grandes mobilizações contra a ditadura. E mais uma vez quem estava lá junto as brasileiras e brasileiros indignados com a atual situação social, política e econômica do país? Os estudantes, o movimento estudantil.

Diferentemente de tudo, estas cores eram novas, eram singulares e ao mesmo tempo plurais, pois traziam em seu fundo dez anos de conquistas e avanços democráticos. Pois, o trabalhador que no final dos anos 90 ia às ruas lutando por emprego, por dignidade, por alimentação, contra fome e contra as pautas estabelecidas à época, hoje vai às ruas por mais qualidade nos serviços públicos prestados, hoje universais, como saúde, educação, mobilidade urbana e etc.